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Exames normais e cansaço: 4 causas que o check-up básico deixa passar

A faixa de referência do laboratório é larga. Ferritina, sono, vitamina B12 e energia disponível podem explicar o cansaço que o exame de rotina não mostra.

Por Dr. Fernandes Piana, médico, CRM-PA 19917. Publicado em . Revisado em .

"Seus exames estão normais." Para quem acorda cansado todos os dias, essa frase pode soar como "o problema é você". Não é. Um exame dentro da faixa de referência não quer dizer que tudo foi investigado.

O que a faixa de referência quer dizer

A faixa que aparece ao lado do seu resultado é calculada a partir de pessoas saudáveis e cobre os valores de 95% delas (CLSI EP28-A3c, 2010). Por isso ela é larga. O seu valor pode cair bastante em relação ao que era antes e continuar dentro dela.

Normal é uma faixa, não um ponto. Saber onde você está dentro dela, e para onde está indo, costuma dizer mais do que a palavra "normal".

Quatro causas que o check-up básico costuma deixar passar

1. Ferritina baixa com hemograma normal

A ferritina mostra o estoque de ferro do corpo. O estoque esvazia antes de a hemoglobina cair, então o hemograma pode estar normal com a reserva já baixa.

Num ensaio clínico na França, 198 mulheres de 18 a 53 anos que menstruavam, estavam cansadas, não tinham anemia e tinham ferritina abaixo de 50 receberam ferro por via oral ou placebo por 12 semanas. O cansaço diminuiu 48% no grupo do ferro e 29% no grupo do placebo (Vaucher et al., CMAJ, 2012).

2. Apneia do sono

Na apneia, a respiração para várias vezes durante o sono, e a pessoa nem sempre percebe. O exame de sangue não mostra isso. Quem mostra é a polissonografia, o exame do sono.

Ronco alto, pausas na respiração que alguém já notou e acordar cansado mesmo depois de dormir as horas certas são sinais para levar à consulta.

3. Vitamina B12 no limite

A B12 no sangue pode estar no limite de baixo e, ainda assim, estar faltando dentro da célula. Um exame chamado ácido metilmalônico ajuda a mostrar isso quando o resultado comum deixa dúvida.

4. Treino alto e comida baixa

Quando a energia que entra não cobre a que o treino gasta, o corpo economiza. Uma das formas de economizar é baixar hormônios da tireoide e hormônios sexuais. O consenso do Comitê Olímpico Internacional chama isso de deficiência relativa de energia no esporte (Mountjoy et al., Br J Sports Med, 2023).

Não é só de atleta. Também aparece em quem treina muito e come pouco para emagrecer.

O que está bem

Cansaço com exames normais não quer dizer que existe uma doença escondida. Muitas vezes, a explicação está no sono, na rotina ou na alimentação, e isso tem caminho. O ponto é investigar antes de concluir.

O que levar para a consulta

  • Os exames que você já tem, mesmo os antigos, para ver a evolução.
  • Quanto e como você dorme, se ronca e se alguém já viu pausas na sua respiração.
  • O que você come num dia comum e quanto treina.
  • Os remédios e suplementos que você usa.

Quais exames pedir depende da avaliação individual. Diagnóstico exige consulta individualizada.

Fontes

  • CLSI EP28-A3c. Defining, Establishing, and Verifying Reference Intervals in the Clinical Laboratory; Approved Guideline. 3rd ed. Clinical and Laboratory Standards Institute, 2010.
  • Vaucher P, Druais PL, Waldvogel S, Favrat B. Effect of iron supplementation on fatigue in nonanemic menstruating women with low ferritin: a randomized controlled trial. CMAJ. 2012;184(11):1247-54. doi:10.1503/cmaj.110950
  • Mountjoy M, et al. 2023 International Olympic Committee's (IOC) consensus statement on Relative Energy Deficiency in Sport (REDs). Br J Sports Med. 2023;57(17):1073-97.

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